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REV magazine
Issue nr.11 2012
| REV Motorcycle Culture

 
PALAVRAS: VÍTOR SOUSA, IMAGENS: MANUEL PORTUGAL

Vê-los tão fora do arquétipo do motociclista podia ser suficiente para lhes apontar o dedo inquisidor dos que vivem no “mainstream”. Mas, neste caso, essa é uma das suas principais fortalezas. Basta olhar para as motos e percebe-se: Maria Motorcycles, um projecto de estilo de vida, de cultura motociclística (também) com raízes num tempo que já não existe.
 
 
uem cresceu nos anos 70 do século passado guarda desse tempo uma memória de
vida muito diferente daquilo que é crescer nos anos 10 do século XXI. Uma memória de vida sem grilhões, um sentido prático de liberdade, mais que isso, um sentido de libertação, do corpo e da alma. A liberdade de surfar as ondas de praias pouco povoadas, de curtir um skate na cidade quando os
carros ainda não eram mais que as pessoas, de ficar na rua até tarde a vadiar, fumar um cigarro adolescente às escondidas, pedalar até ser noite, imaginando mundos e horizontes distantes. Estes tipos (os mais velhinhos) são desse tempo, ou do limiar desse tempo. Mas, de algum modo, pelas práticas, vivências, leituras e experiências de vida, são herdeiros desse espírito, dessa forma de “vida malvada”, libertadora, que hoje quase não existe senão em pequenos grupos, tidos como “alternativos”. Restos culturais de uma antiga prática colectiva. Santuários de rituais engolidos pelas “tecnologias de informação” e pela sociedade asséptica.
Um pouco por todo o planeta nasce
e floresce uma cultura revivalista que busca esse tempo, essas referências. Com uma estética e uma atitude correspondentes. Deus Ex Machina, claro, referência absoluta na matéria. A casa australiana (ver REV#2) estabeleceu um padrão e tornou-se uma inspiração. Embora as condições sociais, culturais e económicas da sua região geográfica lhes permitam a consolidação de um projecto deste tipo como, provavelmente, não será possível noutro local do planeta (bem, talvez na Califórnia). O surf e as motos – duas das formas mais genuínas de entrega ao espaço e à liberdade – cruzam-se e unem-se. Há marcas que vivem nesse espírito, como a americana Iron&Resin, ou movimentos culturais (não os são todos, afinal?) como o dos nossos amigos franceses da costa basca “The Southsiders” (ver REV#4 e artigo nesta edição sobre o evento “Wheels & Waves”). Portugal não foge à regra, e neste campo ninguém ousou assumir de forma tão vincada essa postura como o projecto “Maria Motorcycles”.


Se olharmos para as motos da “Maria”, depressa identificamos as origens dos seus criadores. Podiam “ser” das motos; podiam, mas não são. “São” do design, da ilustração, da fotografia, da publicidade, das artes plásticas e transportam esse imaginário, e ... (continue bellow)
 
 
toda a linguagem, para os seus projectos. Quem são, afinal, os Maria Motorcycles (MM)? Um a um, ei-los: Luís Correia, 38 anos, fotógrafo, director criativo na United, uma agência de brand building (united.pt), é um dos designers do projecto e responsável pela componente técnica e desenho das motos. O seu colega na United, Filipe Sardinha, 39 anos, tem a cargo o marketing e estratégia de marca. Rui Alexandre, 40 anos, é web designer e ilustrador, desenha para a Semente Surboards (semente.pt) e é o responsável pela componente surf e skate na MM. Diogo Potes, 35 anos, é desenhador gráfico e ilustrador no Alva Design studio (alva-alva.com), e na MM tem a seu cargo as componentes arte, roupa e estilo. O Diogo não pôde comparecer na sessão fotográfica e na pequena conversa que a antecedeu, no espaço privilegiado do LX Factory, espécie de oásis no bulício citadino de Alcântara, onde, por hoje, as artes se cruzam com um cenário fabril urbano herdado das fábricas que ali estiveram durante décadas. Com estes currículos nada faria prever que se ligassem às motos. Luís Correia diz-nos que não, porque “as motos sempre estiveram nas nossas vidas, de algum modo. Sempre tivemos motos, mas não falo só por mim se disser que as motos que usávamos, não nos diziam nada, eram apenas meios de transporte.” Será lógico então que tenham procurado outra coisa nas motos. “Aquilo que fazemos, reflecte aquilo que somos, tudo o que aprendemos e as referências que fomos reunindo”, acrescenta o Rui Alexandre. “No fundo, as motos são uma extensão de nós próprios, reflectem a nossa identidade, são únicas como nós somos únicos também”, concluiu o Filipe Sardinha, “fogem ao rebanho, ao mainstream, saem do que é tido como o padrão e a normalidade. Acredito que se passe o mesmo convosco, na REV”... Bingo! E originais, sim, sem dúvida. A começar pelo nome que escolheram para escrever na etiqueta. Maria. “Maria somos todos nós; Maria é o nome mais português, são as nossas mães, as nossas irmãs, as nossas mulheres”, explica o Filipe, “por isso, também aí, quisémos que o projecto tivesse esse cunho próprio, muito nosso.” A comparação inevitável com os Deus Ex Machina quase lhes soa a provocação. “Estávamos à espera que a conversa começasse por aí”... O Rui, que esteve recentemente nas instalações dos “DexM” em Bali, Indonésia, começa por explicar que, tal como acontece com os precursores de determinado estilo musical (para encontrar um paralelo fora do circuito das motos) é quase inevitável que haja outros que os sigam, porque no fundo já partilhavam a mesma base de inspiração. O Luís e o Filipe completam a explicação afirmando que, havendo ou não “DexM”, o aparecimento dos Maria Motorcycles era uma inevitabilidade. E sim, admitem a ... (continue bellow)
 
 
 
comparação, não como algo negativo, pelo contrário, com honra. Porque, afinal, há um caminho cultural comum que conduz ao mesmo sítio, seja nas práticas – do skate, do surf, das motos – seja em tudo o que beberam na sua arte e profissão.


Eva é o nome da primeira Maria. Uma Yamaha XS 650, bicilíndrica, recuperada e convertida em Café Racer. “Não estamos no negócio do restauro puro e simples; não temos nada contra, mas a nossa ideia de reconstrução de motos é poder conferir-lhes a nossa identidade e não apenas restaurá-las de acordo com o modelo original”, confirmam-nos,
como se necessário fosse. Basta olhar. A Eva é uma provocadora, pintada de branco e dourado, a transportar-nos para um imaginário de grandes salões, lustres e uma certa luxúria.

A sua irmã “Mighty Blue” conquistou-me. Pode ser aquela para que se olha primeiro; é uma mistura de estilos, com base numa Triumph Bonneville, o depósito pintado num azul arrebatador, pneus cardados, um guiador alto, sim, mais ao estilo dirt-track; uma combinação ousada que, no entanto, resulta num produto final de grande originalidade.

Depois há a Kawasaki W650, em tons de cinzento, preto e branco, mais
introspectiva, menos vistosa que as suas parceiras, os pneus Firestone “à antiga” (iguais na Eva) e os foles na suspensão a datá-la. Nem se quer é impressão minha, é mesmo como eles anunciaram: cada uma reflecte a personalidade do seu condutor... Ficou a faltar a outra Bonneville, outra ideia e outra interpretação, a confirmar que cada uma é uma.

Há "mais Marias na Terra" é verdade, mas estas, feitas em Portugal (já agora, orgulhosamente feitas em Portugal) são do melhor que o planeta pode ver. Modéstia à parte, pois. Reconhecimento internacional não lhes tem faltado (Bike Exif, Pipeburn, Motorivista...)
e da mesma maneira que há outros projectos na calha, alguns encomendados “para fora”, o projecto ganha, com naturalidade, uma vertente comercial que nenhum dos seus fundadores desdenhará. Embora a produção “em série” não esteja nos seus horizontes e todos os clientes tenham por garantido que fazer uma Maria é coisa que leva tempo, exige paciência e obriga a um processo criativo que se inicia com o conhecimento da personalidade e do carácter de quem encomenda. A ideia é crescer, fortalecer a marca, torná-la comercial, sim, sem complexos. Talvez mais como uma consequência lógica de todo o trabalho realizado. Faz sentido. Faz muito sentido.
 
 
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